Política

PCMG conclui investigação de feminicídio ocorrido na capital, autor foi encontrado morto horas depois

Por ASCOM-PCMG 25/06/2026  

Divulgação/PCMG

A morte de uma mulher de 42 anos teve sua autoria esclarecida após a conclusão do inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que apurou um feminicídio ocorrido em maio deste ano, em Belo Horizonte. As investigações atribuíram a responsabilidade do crime ao companheiro da vítima, de 49 anos, que morreu após os fatos.

O crime ocorreu em 17 de maio, na Praça Manoel Bandeira, no bairro Cidade Nova. Conforme apurado, a mulher foi surpreendida pelo companheiro enquanto praticava exercícios físicos e atingida por diversos disparos de arma de fogo. Horas depois, o homem foi encontrado morto no bairro Sagrada Família.

Premeditação

A investigação foi concluída com a confirmação da autoria do feminicídio e o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário, com sugestão de reconhecimento da extinção da punibilidade em razão do falecimento do investigado.

Os levantamentos conduzidos pelo Núcleo Especializado em Investigação de Feminicídios (NEIF), vinculado ao Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), permitiram reconstruir integralmente a dinâmica dos fatos. Testemunhas relataram à PCMG que a vítima permaneceu com as mãos erguidas durante a abordagem e não apresentou nenhuma reação agressiva antes dos disparos.

Segundo a delegada Ariadne Elloise Coelho, os elementos reunidos demonstraram que a ação foi previamente planejada. “A investigação identificou uma sequência organizada de atos anteriores ao crime, evidenciada por mensagens enviadas pelo suspeito, pelo conteúdo de uma carta manuscrita deixada por ele e pelos demais elementos obtidos durante a apuração”, afirmou.

Durante os trabalhos policiais, foram apreendidas duas armas de fogo, munições, materiais balísticos e a carta manuscrita de seis páginas encontrada na residência do casal. Os exames toxicológicos e de alcoolemia realizados no investigado apresentaram resultados negativos.

Comportamento controlador

As investigações também identificaram relatos de familiares sobre comportamento controlador e ciúmes excessivos por parte do investigado. Conforme apurado, a vítima enfrentava restrições à sua autonomia e havia manifestado o desejo de encerrar o relacionamento.

“O caso demonstra que nem todo feminicídio é precedido por registros policiais ou medidas protetivas. Muitas vezes, existem sinais de violência psicológica e controle que permanecem invisibilizados até que ocorra o desfecho mais grave”, destacou a delegada.

Denuncie

A PCMG ressalta que situações de violência contra a mulher podem ser comunicadas às forças de segurança e aos órgãos de proteção especializados, permitindo atuação preventiva e a adoção das medidas legais cabíveis. Denuncie pelo 181, pelo 197, pela Delegacia Virtual ou na unidade policial mais próxima.