Com alta do petróleo, AgilFix pretende ampliar alcance de solução sustentável no setor logístico

- A tensão no Estreito de Ormuz aumenta o preço do plástico descartável e abre espaço para o mercado de soluções reutilizáveis e sustentáveis
- Legado verde: se 1% do setor logístico abandonasse o plástico, 28.300 toneladas de CO2 seriam impedidos de circular em 5 anos
A alta nos preços do petróleo, intensificada pela tensão geopolítica no Estreito de Ormuz, está redesenhando o mercado de materiais plásticos e abrindo oportunidades para soluções sustentáveis. No Brasil, Leandro Hiebl, CEO da AgilFix, pioneira no desenvolvimento de cintas de amarração de carga reutilizáveis, conta que o conflito já aumentou a demanda na fábrica em 35%, que produz média de 17 mil unidades por mês. A alta na procura desde o início da disputa entre Irã e EUA acelera a transformação ESG no setor logístico e pode ser responsável por impedir o uso de toneladas de plástico nos próximos anos.
Segundo Hiebl, quando o assunto é impacto ambiental, não existem ações pequenas, apenas mudanças de escala necessárias. “Se observarmos o mercado brasileiro, o consumo anual de filme stretch é massivo. Se apenas uma pequena fração dessa operação converter o modelo de unitização de cargas para sistemas reutilizáveis, o impacto é imediato”, afirma.
Ainda, sobre essa percepção do mercado, o executivo compartilha que projeções conservadoras indicam que a substituição de apenas 1% do consumo anual de plástico filme no setor logístico nacional poderia evitar o descarte de aproximadamente 11 mil toneladas de polímeros. “Para se ter uma ideia da dimensão disso, estamos falando de um volume equivalente a 226 milhões de garrafas PET de 2 litros desviadas de aterros sanitários e a mitigação de quase 30 mil toneladas de emissões de CO2 nos próximos cinco anos. Não estamos falando apenas de logística, estamos falando de descarbonizar a cadeia de suprimentos através da eficiência”, estima Hiebl.
Atualmente, o cenário é outro, visto que quase 100% do segmento ainda depende do plástico descartável, o stretch, insumo que ficou até 65% mais caro desde o início dos conflitos. Nesse contexto, o CEO complementa que cada pallet movimentado por essas companhias pode consumir até 1 quilo de plástico. Em números reais, são cerca de 100 milhões de unidades de pallets em circulação por ano no Brasil entre indústria, varejo e centros de distribuição, segundo o Comitê de Pallets e Embalagens da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).
Para o empresário, o aumento no preço da matéria-prima está forçando empresas a buscarem por opções sustentáveis, o que pode acelerar uma mudança que já estava em curso, mas que caminhava vagarosamente. Ele ainda destaca que desde fevereiro, os orçamentos enviados há dois, três ou até quatro meses, que haviam sido interrompidos, estão sendo reavaliados pelos clientes, que estão voltando para fechar negócio. “É óbvio que torcemos pelo fim do conflito, mas é importante que o mercado perceba que é necessário ganhar autonomia em relação ao plástico, tanto por uma questão ambiental quanto estratégica”, finaliza.
Sobre a AgilFix
Com sede em Joinville (SC), a AgilFix é uma empresa brasileira pioneira no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o setor logístico, especializada na fabricação de cintas reutilizáveis para amarração de cargas. Fundada em 2016, a companhia nasceu com o propósito de transformar a logística industrial, promovendo soluções que combinam eficiência operacional e sustentabilidade ao substituir o uso de plástico descartável, como o filme stretch. Com produção em escala e foco em inovação, a AgilFix já contribuiu para evitar mais de 12 mil toneladas de resíduos plásticos no meio ambiente ao longo de uma década. A empresa também aposta em modelos de negócio flexíveis, como a locação de seus produtos, facilitando a adoção da tecnologia pelo mercado.
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