“Esposa troféu”: Mulheres defendem o direito de ter um homem provedor

“Esposa troféu”: Mulheres defendem o direito de ter um homem provedor
A “esposa troféu” tem o mesmo estilo de vida da “Sugar Baby”, e elas entendem que o homem que auxilia financeiramente sua parceira está, na verdade, valorizando ela
Há quem diga que, para ser empoderada, uma mulher não pode ser “bancada” pelo marido. Mas esse pensamento tem mudado e quem um dia já defendeu essa ideia, hoje entende que mulheres modernas e independentes também podem escolher ter “um homem provedor” em suas vidas. O termo “esposa troféu” têm chamado atenção nas redes sociais e muitas mulheres passaram a encarar esse estilo de vida como uma escolha consciente, ligada a conforto, segurança emocional e estabilidade financeira, características também presentes nos chamados relacionamentos Sugar.
Esse tipo de relação é popularmente conhecida como Sugar e, nesse modelo, o acordo é claro desde o início: homens bem-sucedidos assumem o papel de provedores e oferecem experiências, suporte financeiro e qualidade de vida às parceiras. Para o especialista em comportamento afetivo e relacionamentos MeuPatrocínio, Caio Bittencourt, a dinâmica está mais relacionada a autonomia do que a retrocesso. “A ideia de que a mulher deve ter uma carga financeira toda sobre ela é péssima. No estilo de vida Sugar, homens extremamente bem-sucedidos, os Sugar Daddies, entendem a necessidade de proporcionar conforto e luxos para suas parceiras, as Sugar Babies”, explica.
Para Geise, aceitar esse cuidado financeiro não significa abrir mão da independência. A influenciadora digital que se autointitula uma “esposa troféu” mora na Filadélfia, nos Estados Unidos, e se casou com um americano milionário do setor de tecnologia, que é o provedor da relação. “Tenho o cartão dele e compro o que quero. Também tenho uma conta só minha, em que ele deposita toda semana, como se fosse um pagamento”, afirma. Quando se casou, Geise e o marido decidiram que não fazia mais sentido ela arrumar um emprego. “As pessoas acham que ser esposa troféu é ser uma mulher burra, sem informação nenhuma, que vai ficar ali dependendo do marido. Você precisa ser tão inteligente quanto ele.”
“A gente transformou nossa liberdade e ela veio contra nós ao mesmo tempo”
A mineira se diz “imensamente grata” à autonomia conquistada pelas mulheres com o feminismo, mas acredita que, na prática, o buraco se tornou mais embaixo com a intensa jornada dupla. “Hoje, a mulher trabalha fora, paga as contas, ainda cuida da casa, de filho, precisa ser uma boa esposa. Ela fica exausta”, afirma.
Uma pesquisa colaborativa com a BioMed Central revelou que mulheres que enfrentam dificuldades financeiras demonstraram níveis mais altos de estresse e insatisfação com a vida. Caio explica que mulheres que se sentem limitadas financeiramente tendem a se sentir mais exaustas. “É comum que, quando a mulher não tem um parceiro que possa proporcionar uma vida de luxo, ela comece a enfrentar uma série de problemas que afetam tanto sua saúde mental quanto física”, pontua.
Mas afinal, o que é o relacionamento Sugar?
É a opção ideal para pessoas que buscam uma relação clara, direta e transparente. Esse modelo de relacionamento é composto pelo Sugar Daddy, um homem bem-sucedido que busca uma parceira para compartilhar momentos e a quem mimar com presentes e regalias, e a Sugar Baby, uma mulher jovem que busca uma relação com alguém que possa proporcionar as melhores vivências e todo luxo que merecem.
Com 18 milhões de usuários no Brasil, o MeuPatrocínio observa que esse formato tem atraído especialmente jovens que priorizam relações transparentes e com expectativas alinhadas. É o tipo de relacionamento para mulheres que fazem escolhas estratégicas para viver com mais conforto, liberdade e qualidade de vida.

