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Conselhos que mudam carreiras: o que líderes mulheres aprenderam na prática

Lideranças femininas compartilham aprendizados, erros e decisões-chave que moldaram trajetórias de sucesso e ajudam a inspirar a nova geração de mulheres nos negócios

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, empresárias à frente de companhias de diferentes setores se unem para compartilhar os conselhos que gostariam de ter escutado no início de suas carreiras, aprendizados que hoje fazem a diferença em um cenário ainda desafiador para a liderança feminina. Dados do relatório Women in Business 2025, da Grant Thornton, mostram que, no ritmo atual, a equidade de gênero na alta gestão global só será alcançada em 2051, embora o prazo tenha sido antecipado em dois anos em relação à edição anterior. Atualmente, as mulheres ocupam 34% dos cargos de liderança sênior no mundo. Já o estudo Women in the Workplace 2025, da McKinsey, revela que empresas de alto desempenho ampliaram, em média, 7% a presença feminina na liderança desde 2021, enquanto organizações de baixo desempenho avançaram muito pouco, evidenciando que diversidade e resultado caminham juntos.

Apesar dos obstáculos, o avanço do protagonismo feminino no mercado é cada vez mais visível e traz impactos diretos para a inovação, a cultura organizacional e os resultados das empresas. Organizações lideradas por mulheres tendem a reunir maior diversidade de perspectivas, decisões mais estratégicas e ambientes mais inclusivos. É nesse contexto que se destacam histórias de empresárias que atuam em Pequenas e Médias Empresas (PMEs) de diferentes segmentos e revelam os aprendizados valiosos sobre liderança, carreira e empreendedorismo que gostariam de ter escutado no início de suas jornadas, confira:

Coragem é decisão, não condiçãoÀ frente da Lynv, marca brasileira de água de coco 100% integral, Bianca Coimbra defende que um dos principais erros no início da carreira é esperar se sentir pronta para dar o próximo passo. Para a executiva, é a prática, e não a perfeição, que constrói a confiança. “Coragem e preparo juntos são imbatíveis”, afirma. Ao longo da trajetória, Bianca conta que precisou provar mais, se posicionar com mais firmeza e entregar resultados consistentes para conquistar o mesmo espaço e credibilidade que colegas homens alcançavam de forma natural. Ainda assim, avalia que o mercado avançou. “Há 13 anos, quando comecei muito jovem e já como mãe, enfrentei preconceito e a falta de referências femininas. Hoje existe mais consciência sobre equidade de gênero, maternidade e divisão de responsabilidades”, explica a empresária. Para ela, essa transformação é impulsionada pelas próprias mulheres, cada vez mais preparadas e dispostas a ocupar posições de decisão, não apenas para participar, mas para redefinir as regras da liderança.
Transforme o seu sonho em metaA Dra. Rosane Orth Argenta, CEO da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização, afirma que no mercado de trabalho ainda existem desafios e comparações às mulheres. Segundo ela, desde o início da carreira até os dias atuais houve avanços nesse comportamento, mas ele ainda não deixou de existir. Por isso, ressalta a importância de não dar espaço a atitudes que buscam diminuir, julgar ou competir de forma desleal. “A minha mãe tinha um ditado que dizia: você não vai chegar ao seu destino se parar para atirar pedras em cada cão que ladra e adotei isso para minha vida. Eu tinha um objetivo a atingir e ele era mais importante do que parar para dar atenção para essas pessoas que não mereciam”, comenta. Para a empresária, hoje existe mais consciência e respeito, mas levará muitos anos para a equidade de gêneros. “É importante compreender que pode haver obstáculos no caminho, mas também ter clareza de que é possível atingir seus objetivos com dedicação, preparo e perseverança. Além disso, se você tem um sonho e faz dele uma meta, procure se inspirar em pessoas que já atingiram esse objetivo”, orienta.
 A confiança vem depois da açãoResponsável pelo Elah App, plataforma digital voltada a treinos femininos, a educadora física Flávia Cristófaro, formada pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-atleta da Seleção Brasileira de Ginástica Aeróbica Esportiva, afirma que um dos conselhos mais importantes que gostaria de ter recebido no início da carreira é não esperar se sentir totalmente pronta para começar. Segundo ela, a busca pela perfeição pode atrasar decisões e projetos. “Empreender é um processo de construção diária. A confiança não vem antes da ação, ela vem depois”, afirma. Ela também destaca que, embora não tenha enfrentado preconceitos explícitos, percebeu um desafio recorrente entre mulheres líderes: a necessidade constante de provar competência. Para lidar com isso, apostou em resultados consistentes e em um modelo de liderança alinhado à própria essência. “Aprendi que não preciso reproduzir um modelo masculino de liderança. Minha forma de conduzir o trabalho é acolhedora e próxima”, explica. Para Flávia, apesar dos avanços, a equidade de gênero ainda está em construção, mas o cenário é mais favorável ao protagonismo feminino.
 Crescer exige gestão, consistência e clareza financeiraNa liderança da LypeDepyl, referência em depilação a laser e rede pioneira em despigmentação de tatuagens e sobrancelhas, Leydejota Ludwig e Jhosleyde Ludwig avaliam que liderança não é sobre provar capacidade o tempo todo, mas sobre construir resultados consistentes com base em gestão e clareza financeira. Segundo elas, no início da carreira existe uma pressão maior sobre mulheres para demonstrar competência de forma contínua, o que pode levar a decisões apressadas. Para Leyde,“No começo, sendo jovem e mulher, existe a sensação de que é preciso provar o tempo todo que se é capaz. Com o tempo, aprendi que liderança não é sobre provar, mas sobre posicionar, e deixar que resultados bem construídos falem por você”, afirma. Já Jhosy ressalta a importância de acompanhar de perto os números do negócio desde o início, compreendendo fluxo de caixa, contratos e margens, sem delegar totalmente essa responsabilidade. Segundo ela, o respeito no ambiente empresarial vem com preparo, posicionamento e entrega. “Quando você domina o negócio e se posiciona com segurança, o respeito se torna consequência”, relata. Apesar dos avanços na equidade de gênero, as executivas reforçam que ainda há desafios, mas veem um cenário em que as mulheres estão mais conscientes do próprio valor e dispostas a ocupar espaço.
O que ninguém ensina na faculdade sobre empreender e liderarA fundadora e diretora da Markable Comunicação, Samara Perez, defende que empreender exige muito mais do que talento ou domínio técnico. Para ela, um dos maiores equívocos no início da carreira é acreditar que a formação acadêmica prepara, de fato, para criar e estruturar um negócio. “A faculdade forma profissionais para o mercado, mas raramente empreendedores”, afirma a diretora. Segundo a executiva, entender de gestão, saber ler uma Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), acompanhar fluxo de caixa e estruturar processos são competências tão essenciais quanto vender bem um produto ou serviço. Empresas sólidas não crescem só com talento, mas com estrutura. Samara diz não ter enfrentado barreiras diretas por ser mulher, algo que atribui à postura firme e ao domínio técnico, conhecer números, processos e estratégias reduz o espaço para questionamentos. Ela reconhece que o mercado ainda tem desafios estruturais, mas destaca os avanços na última década, impulsionados por iniciativas de incentivo ao empreendedorismo feminino, como o programa 10.000 Mulheres Empreendedoras, da Goldman Sachs, do qual participou. “Hoje vemos mais mulheres em posições estratégicas. Ainda há caminho a percorrer, mas houve progresso real”, conclui.
 Liderança exige coragem, resiliência e inteligência emocional Na liderança da Bessie Beauty Club, rede de salões de beleza express, estão quatro sócias-fundadoras: Bianca Drummond, 58, e sua filha Camila, de 32 anos; e Fabiana Gueiros, 56, e sua filha Eduarda, de 28 anos. As sócias Bianca e Fabiana comentam que no segmento de beleza, não passaram por qualquer desafio pelo fato de ser mulher, mas deixam um conselho importante: invista muito na capacitação. “Não inicie nada sem um planejamento financeiro e estratégico. Além disso, tenha coragem, resiliência e inteligência emocional para saber lidar com pessoas”, indica Bianca. Já para Fabiana, hoje em dia, as mulheres ocupam mais facilmente cargos de liderança. Isso não acontece apenas por seu dinamismo, comprometimento e habilidade para desempenhar múltiplas funções, mas também porque, ao longo do tempo, precisaram provar que eram capazes de estar nesses lugares. “Esse processo fez com que as mulheres buscassem cada vez mais preparo e qualificação. Por isso, atualmente, elas podem, e ocupam, qualquer espaço”, comemora. 

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Dra. Rosane Argenta, sócia-fundadora e CEO da Saúde Livre Vacinas
Crédito: @uyarawuerges
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Flávia Cristófaro, fundadora e CEO do Elah App
Crédito: Márcio Felicio
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Bianca Coimbra, fundadora e CEO da Lynv
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Leydejota Ludwig e Jhosleyde Ludwig, sócias-fundadoras da LypeDepyl
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Samara Perez, fundadora e diretora da Markable Comunicação
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Sócias-fundadoras da Bessie Beauty Club
Crédito: Caio Faz
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