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Casinha de Cultura completa 25 anos transformando a vida de mais de 6 mil crianças e adolescentes em Minas Gerais

CHILDFUND BRASIL

Casinha de Cultura completa 25 anos transformando a vida de mais de 6 mil crianças e adolescentes em Minas Gerais

Metodologia criada pelo ChildFund valoriza o brincar, o vínculo familiar e a cultura local, beneficiando milhares de crianças e famílias em todo o país

Brincar, cantar, contar histórias e reviver tradições populares são práticas simples mas que transformam o cotidiano de muitas comunidades brasileiras há 25 anos. Criada em 1997 pelo ChildFund, a Casinha de Cultura nasceu em uma região de vulnerabilidade social, onde crianças e suas famílias não têm acesso à educação, saúde e estrutura para o desenvolvimento infantil: o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.  A metodologia foi criada como resposta à falta de espaços de convivência, lazer e expressão cultural identificada na região. Duas décadas e meia depois, a metodologia se consolidou como uma tecnologia social certificada pela Fundação Banco do Brasil e reconhecida por fortalecer vínculos familiares, resgatar saberes locais e promover o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens.

Mais do que um espaço físico, a Casinha de Cultura é um centro de convivência comunitária, onde o brincar é entendido como um direito e a cultura é celebrada como parte da identidade de cada território. Muitas delas possuem bibliotecas e espaços de leitura e aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento infantil. Hoje, o projeto está presente em diversas regiões do país, com destaque para os estados de Minas Gerais e Ceará, alcançando milhares de participantes.

“A Casinha de Cultura representa o coração do nosso trabalho comunitário. Ela nasce do diálogo com a população e se transforma em um espaço vivo, de troca entre gerações, onde a infância é valorizada e a cultura local floresce”, destaca Maurício Cunha, presidente executivo do ChildFund no Brasil. 

Brincar é coisa séria

O impacto da metodologia é sentido no fortalecimento dos vínculos familiares, na preservação da cultura e na melhoria das condições de vida das comunidades. Hoje, são mais de 40 Casinhas em funcionamento, fixas e itinerantes, beneficiando em torno de 9.500 pessoas em mais de 200 comunidades brasileiras. Em cada uma delas, há brinquedos artesanais, livros, fantasias, instrumentos musicais e o “Cantinho dos Sonhos”, uma pequena biblioteca comunitária que incentiva a leitura e o imaginário infantil.

“Quando uma comunidade redescobre sua própria cultura, ela se reconhece, se fortalece e transforma seu entorno. É isso que a Casinha de Cultura promove, a alegria de ser e de pertencer, e isso faz uma diferença fundamental na vida de uma criança”, complementa Maurício.

Transformação por meio da cultura em Minas Gerais

Desde sua criação pelo ChildFund, a Casinha de Cultura vem sendo implementada em parceria com organizações sociais locais que adaptam e fortalecem a metodologia em seus territórios. No Vale do Jequitinhonha por exemplo, o  Projeto Caminhando Junto (PROCAJ) mantém 11 Casinhas fixas e itinerantes em cidades como Diamantina, Felício dos Santos, Datas, São Gonçalo do Rio Preto, Itamarandiba, Carbonita, Veredinha, Turmalina e Minas Novas, atendendo cerca de 4 mil pessoas com atividades de teatro, cantigas de roda, artesanato e contação de histórias.

Em Itaobim (MG), a Associação da Criança e do Adolescente de Itaobim (ASCAI) leva a metodologia a 74 comunidades, alcançando mais de 1.100 pessoas. Lá, as Casinhas são palco para brincadeiras tradicionais, confecção de brinquedos e trocas de experiências entre gerações. 

Já em Francisco Badaró, Coronel Murta e Virgem da Lapa, a Associação Municipal de Assistência Infantil (Amai), em Minas Gerais, realiza vivências culturais, festas populares e oficinas de leitura e artesanato, beneficiando cerca de 390 pessoas, em parceria com a APRISCO e ABITA. A instituição planeja expandir nos próximos dias, inclusive com a reforma da Casinha na comunidade de Tocoiós de Minas, que teve grande frequência escolar anteriormente.

Já o GCRIVA, presente em Vespasiano e, também, na Bahia e na Paranaíba, beneficia 1.372 participantes com rodas de conversas, gincanas, hortas comunitárias e construção de brinquedos recicláveis. “A Casinha de Cultura transformou minha filha. Certa vez, precisei transferi-la de escola, e ela me questionou: ‘Mamãe, a distância máxima para vagas em creches e pré-escolas deve ser de dois quilômetros da residência da criança, para garantir o direito à educação infantil. Por que a senhora me colocou em uma escola tão distante, se há outra mais perto da nossa casa?’”, relembra Flaviana de Paula, emocionada ao contar sobre um dos aprendizados que sua filha Ketlen teve ao participar da metodologia da Casinha de Cultura.

A trajetória da Casinha de Cultura ao longo desses 25 anos reforça que brincar é um direito fundamental e transformador, além de contribuir para o desenvolvimento da criança. Essa convicção contribuiu para o advocacy do ChildFund Brasil, que participou diretamente da sanção da Lei do Brincar (Lei 14.826/2024), garantindo que todas as crianças brasileiras tenham acesso a experiências lúdicas e educativas, independentemente de onde vivem. Com essa conquista, o impacto da metodologia da Casinha ultrapassa os territórios de atuação do ChildFund, influenciando políticas públicas e promovendo o desenvolvimento integral da infância em escala nacional.  Para saber mais sobre a Casinha de Cultura e sobre outras metodologias e programas realizados pelo ChildFund, acesse https://www.childfundbrasil.org.br/frentes-de-atuacao?slide=2

Sobre o ChildFund 

O ChildFund é uma organização que atua no desenvolvimento integral, promoção e defesa dos direitos da criança, do adolescente e do jovem, criando futuros com mais oportunidades, para que tenham seus direitos considerados e alcancem seu potencial.

Diretamente, por meio de programas desenvolvidos no Brasil, seu trabalho impactou, em 2024, na vida de mais de 189 mil pessoas, entre elas mais de 83 mil crianças, adolescentes e jovens em situação de privação, exclusão e vulnerabilidade. No mesmo ano, suas iniciativas alcançaram 1,3 milhão de pessoas no país. Para realizá-las, a organização conta com a contribuição de pessoas físicas, por meio do programa de apadrinhamento de crianças e de doações para a causa, como o Guardião da Infância, além de parcerias com empresas, institutos e fundações que apoiam os projetos desenvolvidos.

A organização faz parte de uma rede internacional associada ao ChildFund International, presente em mais de 70 países e que gera impacto positivo na vida de mais de 24,3 milhões de crianças e suas famílias no mundo.

A organização foi premiada internacionalmente em 2025 e está entre as 20 melhores no ranking brasileiro emitido pela The Dot Good, uma certificadora de projetos sociais com sede na Suíça que avalia os impactos locais e globais de ONGs em todo o mundo. No Brasil, o ChildFund já foi eleito, também, a melhor ONG de assistência social do país em 2022 e a melhor ONG para crianças e adolescentes do Brasil por três anos (2018, 2019 e 2021) pelo Prêmio Melhores ONGs, que também a elegeu entre as 100 melhores ONGs do país por sete anos.

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Marcelo Martins
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