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Ação ágil do Governo do Brasil na Zona da Mata fortaleceu redes de saúde e assistência social

AJUDA A MINAS GERAIS


Rápida mobilização de Forças Nacionais em frentes como saúde e assistência social, logo nos primeiros dias da calamidade, prepararam municípios mineiros atingidos para anúncios de novas medidas federais

Logo nos primeiros momentos, tanto o Ministério da Saúde como a pasta do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome enviaram a FNSUS e a ForSUAS, respectivamente, para rápido apoio aos municípios de Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá, os três na Zona da Mata mineira. Fotos: Diego Campos/Secom-PR

No primeiro dia das fortes chuvas, o juiz-forano Tarcilio Domingos da Silva comemorava o novo emprego como balconista com um amigo até que a tempestade substituiu a alegria da celebração por medo e tensão. Tarcilio foi até a casa da mãe para verificar se ela estava segura e, ao retornar para sua própria residência, se viu em uma situação que o forçou a lutar pela sobrevivência. “Escutei um estalo lá em cima na ponta do morro, um barulho descendo e já saí correndo pra fora. Quando cheguei, já dei de cara com a avalanche que me cobriu, me arrastou e foi me levando ‘embolando’ no barro. Eu agarrei no pé de limão que tinha lá e levei quase uma hora pra sair, porque era muito barro. Quanto mais você mexia, mais descia”, relatou.
 

Após conseguir escapar da força das águas se segurando em um limoeiro, Tarcilio procurou atendimento médico em uma unidade de saúde, na zona norte da cidade, para tratar de um ferimento na perna. Em seguida, dirigiu-se à Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, onde foi estruturado um abrigo com o apoio direto de equipes da Força de Proteção do Sistema Único de Assistência Social (ForSUAS), enviadas ainda na terça-feira (24) para auxiliar os municípios afetados no dia anterior pelas fortes chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais. A região avança agora rumo à reconstrução, um processo que ainda vai exigir tempo, mas que conta, desde o dia seguinte à tragédia, com a presença e o acolhimento do Governo do Brasil.
 

Mobilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome (MDS), as equipes da ForSUAS reúnem profissionais capacitados para traçar estratégias e ações de assistência social em cooperação com estados e municípios, atuando nas fases de preparação, resposta e recuperação diante de eventos extremos. A atuação busca assegurar proteção social às comunidades mais vulneráveis, com suporte técnico e articulação entre os entes federados. Em sinergia com a ForSUAS, o Ministério da Saúde destacou a Força Nacional do SUS e o Departamento de Emergências em Saúde Pública. As equipes incluem médicos, enfermeiros, psicólogos e especialistas em logística que atuam desde o apoio à gestão municipal até a assistência direta, com ênfase no cuidado em saúde mental da população, dos profissionais de saúde e das pessoas afetadas.

Agentes de campo da ForSUAS acompanham a rotina no abrigo desde que o espaço foi montado na escola. Foto: Diego Campos/Secom-PR

Ainda na frente de assistência social, além do espaço de acolhimento, foi disponibilizado recurso para abrigamento e para a área social, que podem ser utilizados para compra de alimentos, água, colchões, roupas e produtos de higiene, contratação de equipes de referência, apoio em cozinha, serviços gerais e segurança, além de alugar imóveis para acolhimento provisório e veículos para deslocamento de usuários e equipes. A Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, transformada temporariamente em um abrigo para atingidos pelo desastre, é um dos espaços que recebe essa atenção.
 

“Estou aqui desde segunda-feira e fui muito bem recebido, graças a Deus. Não está faltando nada. Cheguei sem nada, só com a roupa do corpo, cheio de barro e já tenho roupa, tênis, tudo. A comida aqui é excelente e pode comer quantas vezes quiser, independente da quantidade de pessoas, que não vai faltar para as outras”, testemunhou Tarcilio. Beneficiário do programa Bolsa Família, ele destacou que a unificação do calendário de março, com a liberação do pagamento já no primeiro dia, garante a ele acesso mais rápido ao valor recebido neste momento de maior vulnerabilidade.
 

“Vai ser uma maravilha, vai me ajudar porque eu já posso começar a comprar umas coisas a mais que eu não posso ter aqui. Eu tenho filha e posso mandar as coisas pra ela e para minha mãe também, que ficou sem casa e está morando na casa de parentes. Eu posso mandar uma cesta, assim como fazem aqui no abrigo”, contou. Além da antecipação do pagamento do Bolsa Família, a Previdência Social também atua na antecipação de benefícios previdenciários aos moradores de cidades afetadas.

Recém-empregado como balconista, Tarcilio Domingos da Silva procurou o abrigo após sobreviver à forte correnteza que atingiu a rua onde mora. Foto: Diego Campos/Secom-PR

RECONSTRUÇÃO – O abrigo em questão, na Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, foi visitado pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, um dia antes da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de comitiva de ministros à Zona da Mata para acompanhamento próximo dos locais afetados. Na ocasião, o presidente Lula anunciou, em declaração à imprensa na sede da Prefeitura de Juiz de Fora, que a reconstrução da região seguirá o modelo aplicado no Rio Grande do Sul, com foco na assistência imediata e na reconstrução das cidades.

A Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, em Juiz de Fora, foi transformada temporariamente em abrigo e recebeu apoio da Força de Proteção do Sistema Único de Assistência Social (ForSUAS). Foto: Diego Campos/Secom-PR

ACOLHIMENTO – O MDS disponibiliza R$ 20 mil aos municípios para cada grupo de 50 pessoas desabrigadas e acolhidas pelo poder público. O agente de campo da ForSUAS Gabriel Miranda acompanha a rotina no abrigo desde que o espaço foi montado na Raymundo Hargreaves e explica como é o dia a dia do trabalho. “A primeira equipe que chega faz toda a parte de levantamento, de observação, e esse estudo de campo e diagnóstico sócio-territorial. Os apoiadores, especialistas e profissionais de diferentes áreas, nos ajudam com a escuta qualificada, com o trabalho dentro dos abrigos temporários, nos acolhimentos familiares, com a busca ativa nos locais mais atingidos para que a gente consiga oferecer e levar até elas o benefício a qual elas têm direito neste momento difícil que estão passando”, explicou o agente Gabriel.

“Damos todo o apoio necessário à Secretaria de Assistência Social com o envio de apoiadores, desenvolvemos apoiadores locais e trazemos especialistas de outros locais de toda parte do Brasil. Se necessário, atuamos no levantamento, na identificação e na reconstrução. Nos abrigos temporários, como este aqui, nós fazemos a acolhida de crianças, adolescentes, famílias, pessoas idosas, pessoas com deficiência e realizamos o cadastramento das famílias para inserção nos benefícios sociais, pelo CadÚnico do Governo Federal, e na proposta de cuidado”, emendou.

O agente complementa que, no primeiro momento de atuação, as famílias foram encontradas muito abaladas pelos acontecimentos sem precedentes na história de Juiz de Fora. “Algumas pessoas ainda estão tentando processar e entender melhor, ainda sem acreditar e sem compreender bem o que estava acontecendo. As coisas aconteceram muito rápido, muitas famílias tiveram que sair. Alguns atingidos foram acolhidos por familiares, vizinhos e por alguns colegas. Mas aqueles que não tinham condição precisavam ser direcionados para o abrigo”, detalhou Miranda.

SAÚDE MENTAL — A dona de casa Tainara Thomé Correia Valadão está grávida do segundo menino e é mãe de três meninas, incluindo a filha mais velha, que também carrega um bebê de nove meses. As duas assistiam televisão quando a falta de energia elétrica na residência já sinalizou que o perigo estava próximo. Tainara contou que havia colocado os outros filhos para dormir após todos terem jantado, quando o mal presságio se concretizou. “A sorte é que a gente não dormiu”, resumiu. “Meu ex-cunhado gritou porque uma casa antes da minha partiu no meio com a queda de uma árvore e a gente correu para a vizinha. Foi a pior hora, porque desceu a avalanche e ilhou a gente dentro da casa dela. A gente ficou de 23 horas até 6 horas esperando amanhecer para sair”, relembrou a mãe de três meninas e um menino.
 

Ela detalhou os motivos que a levaram ao abrigo com a família. “Eu estava sabendo que aqui estava abrigando gente e vim, porque, infelizmente, eu não tenho para onde ir com meus filhos e também não tenho, no momento, condições de alugar uma casa. Agora que o Bolsa Família vai cair antes irá ajudar que eu possa até alugar uma casa. Mas não tem como ir na cidade, porque a rua aqui está fechada. Enquanto não resolver, eu não vou para a cidade. Se a escola [o abrigo] começar a funcionar, para onde a gente vai? Então, tendo o dinheiro do benefício, tem como alugar uma casa”, afirmou Tainara.

A dona de casa Tainara Thomé Correia Valadão está grávida do segundo menino, é mãe de três meninas e está abrigada com a família após as fortes chuvas. Foto: Diego Campos/Secom-PR

QUALQUER BARULHINHO ASSUSTA – O relato de Tainara ainda chama a atenção para outro desafio enfrentado pelas famílias e, principalmente, pelas crianças: superar o medo e os traumas causados pelo desastre climático. “No abrigo, estão dando auxílio para a gente direitinho. Alimentação, banho, está tudo tranquilo. Mas, infelizmente, não era isso que a gente queria. Queríamos estar na nossa casa, ter o nosso conforto, com nossos filhos direitinho. Igual a minha menina de 14 anos, ela está traumatizada”, lamentou a mãe.
 

Uma das vertentes essenciais da presença federal é o acolhimento de quem perdeu tudo e em ações voltadas para cuidar da saúde mental, tanto por meio dos profissionais da ForSUAS quanto da Força Nacional do SUS, porque muitas pessoas ainda sentem o estresse dos dias 23 e 24 de fevereiro. “A minha menina já conversou com duas psicólogas, mas só que ela está muito assustada ainda. Já ajudou bastante, mas, com qualquer barulhinho, ela não está dormindo direito. Mas, graças a Deus, meus filhos estão sendo bem assistidos. Todo mundo aqui está”, finalizou Tainara.
 

FORÇA NACIONAL DO SUS — Em sinergia com o ForSUAS, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) ampliou o acesso a consultas com psicólogos e psicólogas nas unidades de saúde das três principais cidades mineiras afetadas. Em Juiz de Fora, uma carreta do programa Agora Tem Especialistas foi enviada pelo Governo do Brasil — parte de um movimento de oferecer infraestrutura apropriada para exames de imagem, como tomografia e ultrassonografia, além de dar suporte às equipes de saúde que já estão no local para realizar os atendimentos adequados às vítimas das chuvas.
 

As equipes especializadas da Força Nacional do SUS e do Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP) iniciaram os trabalhos no dia 25 de fevereiro em Juiz de Fora e efetivo adicional foi direcionado para Ubá e Matias Barbosa no dia 26, como resposta emergencial às fortes chuvas que atingiram municípios da Zona da Mata mineira.
 

Elas realizam ações de acolhimento com atendimento psicossocial e cuidados em saúde mental; vacinação preventiva contra o tétano, já que a bactéria causadora dessa doença pode estar presente nas águas das enchentes; e a reorganização da rede assistencial local. “Assim que a gente chega no município, a primeira conduta é fazer a avaliação junto com o município do que precisa, fazer um diagnóstico situacional do que está precisando. Depois que foi identificado, a Força Nacional do SUS está preparada para responder. Desde respostas a casos leves até casos graves, se tiver uma necessidade de aumentar o aporte de resposta, a Força Nacional do SUS tem plenas condições”, afirmou a psicóloga voluntária do FN-SUS, Larissa Barbosa Almeida, uma das profissionais de saúde que atuam em Juiz de Fora.

Envio de carreta do programa Agora Tem Especialistas é parte de um movimento do Governo do Brasil de oferecer infraestrutura apropriada para exames de imagem, como tomografia e ultrassonografia. Foto: Diego Campos/Secom-PR

TRAUMA PODE SER SUPERADO — Após os primeiros momentos, explica Larissa, o trabalho se voltou para tratar as dores emocionais por meio de cuidado em saúde mental e atenção psicossocial. “É superimportante a gente falar sobre isso, porque a gente tem uma ideia geral de que quem passa por um desastre muitas vezes vai ficar traumatizado. E o que a nossa experiência e as evidências científicas mostram é exatamente o contrário. É uma pequena minoria que pode vir a desenvolver algum transtorno psiquiátrico, isso se não receber cuidados”, explicou a psicóloga.
 

Larissa lista algumas das reações esperadas para um evento inesperado. “Nas primeiras horas, nos primeiros dias, é muito normal, se você estiver sentindo dificuldade para dormir, redução de apetite, sentir que parece que está vendo um filme, como se estivesse sonhando, como se a ficha ainda não tivesse caído. Isso é completamente esperado de sentir. Só que entra o que a gente chama de fase de assimilação. Dar conta que pode ser aquele momento que a gente se emociona bastante ou pode estar se sentindo mais ansioso. Isso tudo é esperado de acontecer”.
 

RECOMENDAÇÕES – A psicóloga aponta ainda algumas recomendações para quem está psicologicamente afetado pelas consequências da catástrofe climática. “Seguir as recomendações oficiais, acesso a informações que venham por meio da sua prefeitura, da sua secretaria municipal de saúde, estar com as pessoas que gosta, tentar lembrar o que fazia antes do incidente acontecer, do desastre acontecer, e o que te ajudava. Se isso estiver dificultando as atividades que já fazia, pode ser o momento de uma ida ao posto de saúde”, reforça.
 

Isso porque voltar às atividades cotidianas muitas vezes pode ser desafiador. “Lembrando que são reações esperadas, mas se sentir que está muito difícil de dar conta sozinho, pode pedir ajuda profissional – e ajuda também do seu vizinho, da sua igreja, da sua liderança comunitária. Nesse momento, é o momento da gente poder contar com os grandes coletivos e aqueles lugares onde a gente sente pertencimento”, orienta a profissional de saúde.
 

Segundo ela, esse é o principal fator que justifica a urgência da presença rápida de profissionais de saúde no território. “É um cuidado que é territorial, a gente fortalece lideranças comunitárias e as equipes locais. É sempre o cuidado feito a partir da demanda que nos é passada. Se aumentar, a gente tem plenas capacidades de responder. Seja aumentando as equipes, seja fazendo capacitações, seja apoiando para montar estratégias ou apoiando com materiais qualificados”, acrescentou.
 

CIDADES E EXÉRCITO — Além das forças do MDS e do Ministério da Saúde, o Governo do Brasil também mobilizou equipe técnica do Ministério das Cidades para a Zona da Mata mineira para atuar em conjunto com os prefeitos na formulação de soluções definitivas para a reconstrução das cidades, além de viabilizar novas moradias às famílias impactadas. Além disso, 423 militares, um helicóptero e viaturas foram colocados à disposição dos municípios, por meio do Ministério da Defesa.

Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), reforçou que o Governo do Brasil já está atuando de forma conjunta com os municípios na elaboração e execução de planos emergenciais para restabelecer serviços essenciais. Foto: Diego Campos/Secom-PR

DEFESA CIVIL NACIONAL — Uma outra esfera de atuação federal imediata ocorre via Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), responsável pelo alinhamento de ações da Defesa Civil Nacional com outras forças, por estabelecer comunicação permanente com as esferas municipal e estadual e alinhar as ações de resposta ao desastre. Os primeiros planos de trabalho para restabelecimento e assistência humanitária em Juiz de Fora e Ubá foram aprovados ainda na quarta (25) pelo MIDR, com a liberação prevista de R$ 2,9 milhões para Juiz de Fora e R$ 482,4 mil para Ubá. As medidas marcam o início da execução dos recursos federais após a tragédia.
 

Em uma sala montada na Prefeitura de Juiz de Fora estão instaladas equipes da Defesa Civil Nacional. O secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil do MIDR, Wolnei Wolff, explicou como tem sido o processo de reunir o Sistema Nacional de Proteção da Defesa Civil desde o primeiro dia da calamidade e formular ações decisivas.
 

“A gente já mobilizou a nossa equipe de especialistas, de engenheiros, geólogos, para que ainda na terça-feira (24) a gente tivesse capacidade de vir para cá. Essa primeira equipe embarcou junto com o ministro Waldez Góes [do MIDR]. Logo chegamos, fizemos a primeira reunião com a prefeita Margarida Salomão e equipe de Defesa Civil do município e do estado, os primeiros relatos todos. Nossa equipe de técnicos já começou a trabalhar em conjunto com a Defesa Civil do município, no primeiro momento de orientar”, resumiu.
 

RESPOSTA HUMANITÁRIA – Wolff ressaltou que a segunda parte da resposta envolveu a construção de planos de ajuda humanitária para famílias diretamente afetadas. “É entender o que essas pessoas precisam. Cesta básica, água, colchão, kit de limpeza. E, ainda na resposta, buscar o que a gente chama de restabelecimento das condições normais da população. Fazer limpeza pública, aquelas pequenas avarias que acontecem na pavimentação, no calçamento, na drenagem, na encosta e na via. Isso tudo é feito dentro do plano de restabelecimento. Fizemos um primeiro plano, aprovamos e já está empenhado para a prefeitura fazer uso do recurso. Restabelecer serviços, água, luz. Mas, principalmente, fazer limpeza urbana”, finalizou.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República 

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