Pesquisa Ipsos mostra dualidado de brasileiros no apoio à comunidade LGBTQIAPN+
Respaldo contra a discriminação segue majoritário, mas cai o suporte ao ativismo corporativo e ao casamento homoafetivo; atletas trans seguem como ponto de maior tensão e polarização
A nova pesquisa Pride Report 2026, realizada pela Ipsos em 26 países, revela que, embora o apoio aos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ siga majoritário no Brasil e no mundo, há uma tendência de queda em pautas como o ativismo de marcas. O estudo deste ano revela uma dualidade no comportamento brasileiro: o país reconhece a importância da visibilidade e da proteção contra a discriminação, com índices acima da média global, mas demonstra uma resistência maior aos direitos da comunidade, como o casamento igualitário.
O respaldo a empresas e marcas que promovem ativamente a igualdade para pessoas LGBTQIAPN+ segue mais alto no Brasil (49%) do que na média global (42%). Contudo, este número representa uma queda expressiva de 9 pontos percentuais em comparação com 2021, quando 58% dos brasileiros apoiavam a iniciativa. A mesma tendência de queda, ainda que menor, se reflete na presença de personagens LGBTQIAPN+ na mídia, que hoje tem 37% de apoio no Brasil (contra 46% em 2021).
“A queda no apoio reflete uma disputa muito grande em diversos setores, impulsionada pelo avanço de pautas conservadoras, tanto no âmbito político com agendas explícitas de desmonte de narrativa pró-LGBTQIAPN+, quanto no que é propagado nas redes sociais, visando principalmente homens jovens, num discurso mais machista e conservador, tanto em relação à diversidade sexual, quanto às discussões sobre gênero. A queda de apoiadores e patrocinadores da Parada de SP só piora este cenário e demonstra insegurança das marcas num momento tão delicado para a comunidade”, aponta Marcio Aguiar, gerente sênior de pesquisas qualitativas e líder do grupo de afinidades da Ipsos no Brasil.
Brasil dual na agenda LGBT+
Apesar da queda em agendas de visibilidade, a proteção legal contra a discriminação continua sendo um ponto de forte concordância. No Brasil, 58% da população apoia leis que proíbam a discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ no trabalho, moradia e acesso aos serviços, índice acima da média global de 52%.
O reconhecimento da discriminação também é acentuado: 75% dos brasileiros (contra 65% na média global) concordam que pessoas trans enfrentam um grau considerável de discriminação na sociedade.
A dualidade, porém, aparece no apoio ao casamento entre pessoas do mesmo gênero. Enquanto a média global de apoio é de 53%, no Brasil o índice é de 44%. Em 2021, esse apoio era de 49% entre os brasileiros, mostrando uma retração de 5 pontos em cinco anos.
Esportes e a questão trans
Globalmente, o tema dos atletas transgênero segue como um ponto de tensão. A aprovação à participação de atletas trans competindo de acordo com sua identidade de gênero é de apenas 22% na média global. No Brasil, embora o endosso seja um pouco maior (29%), ele também sofreu uma queda acentuada desde 2021, quando o índice era de 40%.
“O debate sobre esportes se tornou um dos campos mais polarizados na discussão sobre direitos trans. Os dados mostram que a aceitação da visibilidade não se traduz automaticamente em apoio a todas as pautas da comunidade. A luta por direitos e, principalmente, por aceitação, está longe de terminar em 2026”, comenta Aguiar.
Sobre o estudo
O estudo Ipsos LGBT+ Pride Report 2026″ foi realizado em 26 países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, México, Países Baixos, Peru, Polônia, Singapura, Suécia, Tailândia e Turquia. No total, foram entrevistados 19.019 adultos, entre 24 de abril e 8 de maio de 2026. No Brasil, foram entrevistados 1.000 adultos. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.
Sobre a Ipsos
A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 90 mercados. A companhia, que tem globalmente mais de 6.000 clientes e 20.000 colaboradores, entrega dados e análises sobre pessoas, mercados, marcas e sociedades para facilitar a tomada de decisão das empresas e das organizações. Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, a Ipsos atua ainda nas áreas de marketing, comunicação, mídia, customer experience, engajamento de colaboradores e opinião pública. Os pesquisadores da Ipsos avaliam o potencial do mercado e interpretam as tendências. Desenvolvem e constroem marcas, ajudam os clientes a construírem relacionamento de longo prazo com seus parceiros, testam publicidade e medem a opinião pública ao redor do mundo.

