10/6, Dia da Língua Portuguesa: veja como a disciplina cai no Enem e dicas de estudo
Especialistas explicam os conteúdos mais cobrados na prova e orientam
estudantes sobre estratégias de preparação
São Paulo, 09 de junho de 2026 – Nesta quarta-feira, 10 de junho, é comemorado o Dia da Língua Portuguesa, falada por cerca de 260 milhões de pessoas ao redor do planeta e idioma oficial de nove países: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe e, claro, o Brasil, nação com maior número de nativos e falantes. A data homenageia o nascimento do escritor português Luís Vaz de Camões, em 1579, autor de Os Lusíadas, o maior poema épico da língua portuguesa e um clássico indiscutível da literatura internacional.
Que português falamos?
A língua portuguesa tem suas raízes no latim vulgar, idioma falado pelos soldados e colonizadores do Império Romano que ocuparam a Península Ibérica a partir do século III a.C. Com o passar dos séculos, o contato com povos locais e invasões de diferentes origens — como visigodos e árabes — transformou o latim popular em novas formas de expressão, dando origem ao galego-português, falado na região noroeste da península. A partir do século XII, com a formação do Reino de Portugal, o idioma passou a se consolidar de forma independente, evoluindo até se tornar o português que hoje é falado por milhões de pessoas.
Contudo, a língua portuguesa falada no Brasil é diferente do português falado em Portugal e em outros países, pois sintetiza o encontro entre diferentes culturas. “O português brasileiro se formou a partir da base europeia trazida pelos colonizadores, mas foi moldado por influências indígenas e africanas, criando uma sonoridade e uma estrutura únicas”, explica Lino Gonzaga de Oliveira, da Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
A fama de “língua difícil” acompanha o português há décadas, mas, para a professora Janaína Arruda, da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), essa ideia precisa ser revista. Ela explica que a percepção de que um idioma é mais fácil ou mais difícil de aprender depende muito da língua materna de quem o estuda. Isso ocorre porque os idiomas se organizam em famílias linguísticas com estruturas, sons e vocabulários semelhantes.
“Toda língua tem suas complexidades, mas o português não é mais difícil do que o francês, o alemão ou o inglês. Na verdade, nenhum idioma é mais difícil que outro”, afirma Janaína. Essa percepção pode estar associada à distância entre o português formal, considerado ‘norma’, e o falado no cotidiano, isto é, sua variante linguística mais comum. “Quando o ensino se volta demais para a norma culta e pouco para o uso da língua, o aprendizado se torna mais desafiador. É importante entender que dominar o português não é decorar regras, mas compreender como ele funciona na prática”, afirma Janaína.
O português no Enem
A língua portuguesa é, sem dúvida, uma das disciplinas que mais pesa no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além de compor 45 questões na prova de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias, o português é a base da redação, e fundamental para interpretar conteúdos de todas as áreas.
A professora Janaina Arruda avalia a prova como uma verdadeira “maratona de leitura”. “Os estudantes enfrentam muitos textos, de variados tipos. O que tem sido abordado com muita frequência é a interpretação de textos e os gêneros textuais, como crônicas, tirinhas, charges, infográficos. Dessa forma, é preciso trabalhar bastante a habilidade leitora, pois a falta de prática pode tornar a prova cansativa para quem não se preparou ou não tem o hábito da leitura”.
Janaina acrescenta que a língua portuguesa no Enem testa a capacidade do candidato de compreender o uso da língua nas diversas situações comunicativas, por isso é importante estudar a dimensão discursiva da língua, que aborda as variações linguísticas e as funções da linguagem.
“Também se faz necessário entender o uso das figuras de linguagem e como elas estão presentes nas questões que abordam a semântica, a polissemia ou a ambiguidade. As questões de literatura voltam-se para textos mais modernos e contemporâneos e usa também letras de músicas, muitas vezes estabelecendo relações entre textos e dando relevância para os processos sociais e para a formação da cultura brasileira. Além disso, as competências exigidas na redação demandam, sobretudo, domínio de repertório sociocultural”, diz a docente da Aubrick.
Assuntos recorrentes e como são abordados
Dominar os principais conteúdos de língua portuguesa é essencial para ter um bom desempenho no Enem. Entre interpretação de texto, gramática e análise sintática, a prova exige não só conhecimento técnico, mas também atenção aos detalhes e leitura crítica.
“Mais do que decorar regras, o aluno precisa entender como a língua funciona em diferentes contextos. O Enem cobra aplicação prática, e não apenas teoria isolada”, destaca Juliane Pagamice, professora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP). A seguir, ela elenca os temas que mais caem e como eles costumam ser abordados na prova.
Interpretação de texto e gramática: a maior parte das questões exige leitura atenta e interpretação de textos diversos, aliada ao conhecimento das normas gramaticais. É comum que o aluno precise identificar o sentido de um trecho e, ao mesmo tempo, aplicar regras da língua;
Gêneros textuais e tipos de discurso: textos como charges, reportagens, crônicas, poemas e tirinhas aparecem com frequência. As questões costumam pedir a identificação do tipo de discurso (direto, indireto, narrativo etc.) e das intenções comunicativas presentes no gênero;
Gêneros literários, variações linguísticas e funções da linguagem: são exploradas as características de diferentes escolas literárias, como o romantismo ou o modernismo, além de temas como uso da linguagem formal e informal e as funções da linguagem (emotiva, apelativa, referencial, entre outras);
Análise sintática, concordância, regência, crase e pontuação: aparecem em frases complexas, pedindo que o aluno identifique funções sintáticas (como sujeito, objeto e adjunto), aplique regras de concordância e regência verbal e nominal, e use corretamente crase e sinais de pontuação.
Dicas práticas para acertar as questões de português
Com base nos temas mais recorrentes, algumas estratégias simples podem fazer diferença na hora da prova. Saber como abordar os enunciados, organizar o tempo e revisar os textos com atenção pode aumentar as chances de acerto.
“A prova de língua portuguesa no Enem exige leitura estratégica. Muitas vezes, a resposta está no próprio texto, mas o aluno precisa saber onde procurar e como interpretar o que está sendo dito”, orienta Eloá Schuler, docente do colégio Progresso Bilíngue, de Santos/SP.
Confira, abaixo, dicas práticas para resolver as questões com mais segurança.
Leia a questão antes do texto: identifique o foco da pergunta para direcionar seu raciocínio;
Marque palavras-chave: grife termos como “exceto”, “principalmente” ou “figura de linguagem”;
Elimine alternativas absurdas: reduza as opções ainda antes de ler todas as justificativas;
Retome o texto: sempre volte ao trecho indicado para confirmar sua resposta.
Dicas de estudos para o Enem
A preparação para a prova de língua portuguesa deve ir além da teoria: é fundamental criar uma rotina de estudos que envolva leitura variada, prática com exercícios e revisões constantes. Diversificar os materiais e simular situações reais de prova ajuda a fixar conteúdos e desenvolver agilidade na interpretação.
“Estudar português para o Enem não é apenas memorizar regras, mas treinar o olhar para reconhecer padrões linguísticos, estilos de texto e intenções comunicativas”, afirma o professor Lino Gonzaga de Oliveira.
Veja, a seguir, algumas estratégias eficazes para incluir no plano de estudos.
Consuma diferentes formatos de texto: leia tirinhas, jornais, charges, cartoons, anúncios, publicidades e até posts em redes sociais para exercitar leitura rápida e diversificada;
Pratique esquemas de análise sintática: crie resumos de termos e funções sintáticas para fixar regras;
Resolva simulados e antigas provas: assim, você se familiariza com enunciados e o tempo de prova;
Faça revisões periódicas: dedique pequenos blocos diários a cada tópico (crase, concordância, gêneros etc).
Os especialistas
Eloá Schuler é formada em Letras (Bacharelado e Licenciatura) pela Universidade de São Paulo – USP. Possui mais de 10 anos de experiência como professora de Literatura, Língua Portuguesa e Redação. É docente do Progresso Bilíngue Santos.
Janaina Arruda da Silva é formada em Bacharelado e Licenciatura em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), com Mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação, com experiência na Educação Básica e no Ensino Superior na Escola Bilíngue Aubrick.
Juliane Pagamice de Sant’Anna é professora de Português para os anos finais do Ensino Fundamental e de Redação no Exponential High School da Escola Internacional de Alphaville. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada em Metodologias Ativas pelo Instituto Singularidades, é dedicada ao estudo e ao ensino da língua portuguesa, da leitura e da escrita. Apaixonada pela educação, concentra sua prática na formação de estudantes críticos, criativos e conscientes de seu papel no mundo.
Lino Gonzaga de Oliveira é graduado em Letras com habilitação em Português, e possui pós- graduação em Língua Portuguesa e Literatura e em Psicopedagogia. Atua há vinte e três anos na área educacional, tendo experiência como docente para o Ensino Fundamental, Médio e Ensino Superior.
Sobre a ISP – International Schools Partnership
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.

