G7 acelera corrida global por terras raras e coloca Brasil no centro da disputa mineral do século
Discussão liderada por Dario Durigan em Paris reforça movimento internacional para reduzir dependência da China e amplia pressão global por acesso a minerais críticos brasileiros
“A entrada dos minerais críticos e das terras raras no centro das discussões econômicas do G7 marca uma mudança histórica na geopolítica global e coloca o Brasil entre os países mais estratégicos da nova disputa internacional por segurança mineral”, afirma Eduardo Duarte, CEO da Terra Brasil Minerals.
A análise ocorreu após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, levar ao encontro ministerial do G7, em Paris, discussões ligadas à transição energética, inteligência artificial, segurança industrial e minerais estratégicos, agenda que passou a ocupar posição central entre as principais economias do mundo.
Na avaliação do executivo, o avanço do tema para o núcleo da diplomacia econômica internacional evidencia uma preocupação crescente das grandes potências com a dependência global da cadeia mineral atualmente concentrada na China, especialmente no processamento e refino de terras raras utilizadas em baterias, semicondutores, sistemas de defesa, carros elétricos, infraestrutura tecnológica e fertilizantes.
Para a Terra Brasil Minerals, o debate internacional confirma que minerais críticos passaram a representar um dos ativos geopolíticos mais relevantes do século XXI, em um cenário comparado por especialistas à importância estratégica que o petróleo exerceu nas últimas décadas.
O Brasil possui algumas das maiores reservas minerais do planeta e passou a ser visto internacionalmente como peça-chave para diversificação das cadeias globais de fornecimento em meio à crescente tensão econômica entre Estados Unidos, Europa e China.
Segundo Duarte, a presença brasileira nas discussões do G7 sinaliza que o país deixou de ocupar posição periférica na agenda mineral internacional e passou a integrar diretamente o debate global sobre segurança energética, reindustrialização e soberania tecnológica.
A Terra Brasil Minerals avalia ainda que a nova corrida global por minerais críticos deve acelerar investimentos internacionais no setor mineral brasileiro nos próximos anos, especialmente em projetos ligados a terras raras e materiais estratégicos para tecnologias avançadas.
Cerca de 24 empresas já procuraram a companhia, entre elas algumas de países como Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, Marrocos e China, além de representantes de governos. A Terra Brasil, fundada em 2013, iniciou atividades de pesquisa na região do Alto Paranaíba, entre Patos de Minas (MG) e Presidente Olegário (MG). Mas antes era focada em fosfato para fertilizantes. Ela expandiu a ambição para terras raras depois de confirmar, em 2015, a ocorrência do grupo de elementos. Hoje, a reserva da mineradora é de 3 bilhões de toneladas de rocha vulcânica kamafugito, que contém potássio, fosfato e, segundo Duarte, 15 dos 17 elementos de terras raras.
“A Terra Brasil já fez aportes próprios que somam mais de R$ 200 milhões, destinados a processos como pesquisas geológicas e ensaios químicos e metalúrgicos. E do US$ 1 bilhão que busca com a entrada de novos investidores no negócio, cerca de 60%, ou US$ 600 milhões, devem ser para o desenvolvimento de terras raras e o restante, para os processos com fertilizantes”, finaliza.


