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3º Cine Gastrô – Gastronomia e Cinema Brasileirocomeça na próxima sexta-feira, dia 8 de maio, em Lapinha da Serra

No dia 8 de maio, próxima sexta-feira, começa o Cine Gastrô, que faz parte da programação do Festival Cine Lapinhô, festival de cinema independente que acontece de 3 a 6 de junho em Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho. O Cine Gastrô é um circuito gastronômico que antecede em praticamente um mês o evento, ampliando sua presença no território e criando uma atmosfera preparatória para o festival. Ao se iniciar antes da realização do festival, o circuito se estende para além dos dias de programação, inserindo o cinema no cotidiano da vila. O Cine Gastrô segue até dia 6 de junho.

Os restaurantes participantes apresentam pratos inspirados em filmes nacionais convidando o público a circular para além das sessões de cinema, visitando os restaurantes e experimentando a gastronomia local.

Essa aproximação entre cinema e gastronomia se dá a partir da dimensão sensorial e simbólica que ambas compartilham. Assim como o cinema constrói atmosferas, narrativas e imaginários por meio de imagens, sons e ritmos, a gastronomia mobiliza memória, afetos e percepção a partir de sabores, aromas e texturas. No Cine Gastrô, essa relação se concretiza na criação de pratos que traduzem elementos do cinema brasileiro — não apenas como referência temática, mas como interpretação de suas narrativas, personagens e universos — fazendo com que cada prato funcione como uma extensão da experiência cinematográfica.

O festival é realizado com recursos do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais (FEC/MG), por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), do Governo do Estado de Minas Gerais.

3º Cine Lapinhô
A terceira edição do Cine Lapinhô acontecerá entre os dias 03 e 06 de junho de 2026, durante o feriado de Corpus Christi, sob o tema curatorial “Um Mundo Imenso”. A praça da igreja da Lapinha da Serra será transformada em um cinema a céu aberto e receberá uma programação gratuita que articula música, apresentações circenses e oficinas. Para a composição da mostra foram 730 filmes inscritos de todo o Brasil, e o resultado da seleção e a programação serão divulgados na segunda quinzena de maio, pelas redes sociais e pelo site do festival.

Tema curatorial “Um Mundo Imenso”

“O Cine Lapinhô se faz no diálogo. Nas primeiras edições, aprendemos que uma mostra de cinema é muito mais que um telão na praça: é o movimento que a cidade faz para acolher quem chega, é a conversa na calçada, no café, é o jeito que a luz do projetor encontra o contorno da Serra. Viemos de uma busca pelos sonhos no escuro e passamos pela alegria dos encontros. Agora, nesta terceira edição, o convite é para afinar os sentidos. O tema “Um Mundo Imenso” nasce da simplicidade da percepção de que o mundo não é feito apenas por nós, humanos. Seguimos fazendo da mostra um organismo vivo, que respira com a comunidade. A cultura, para nós, acontece no filme, mas também no vento que balança o telão, no público que compartilha com a gente o tempo e a escuta, nos rumores da Serra da Lapinha, no silêncio que fica depois que a luz se apaga. Para lembrar que o mundo é, de fato, imenso”, reflete a coordenadora do festival, Tamira Abreu.

Produção Nos da Fita

O Cine Lapinhô é produzido pela Nós da Fita, produtora cultural fundada com a missão de democratizar o acesso à cultura e fortalecer seu papel como ferramenta de transformação social. Coordenada por Tamira Abreu, produtora cultural com duas décadas de experiência, a Nós da Fita desenvolve projetos que conectam cultura, território e formação de público.

Entre suas iniciativas estão o Cine Lapinhô – Festival de Cinema da Lapinha da Serra, o Cinema da Favela (formação audiovisual para jovens), o Cine Bitaca (mostra de curtas em bares de Belo Horizonte) e o Macacos Cine Fest, com primeira edição prevista para o segundo semestre.


Informações para a imprensa: Janine Horta – 971448232

Entrevistas: Tamira Abreu – (31) 99921 7542


Restaurantes participantes:

BISTRÔ LAPINHA – https://www.instagram.com/bistrolapinha/

Endereço: Rua Paraíso, 279 Lapinha da Serra

Prato participante: Quintal do Cerrado

Filme Inspiração: Mutum(2007) – Direção Sandra Kogut

Descrição: Inspirado em Mutum, o prato Quintal do Cerrado se constrói a partir de um tempo espesso, onde a vida não se apresenta em evidência, mas se acumula nos gestos, na paisagem e nas relações. No filme, a infância atravessa um território marcado por dureza, silêncio e afeto contido — uma experiência em que o sensível não é explícito, mas latente. É nesse registro que o prato se ancora, articulando matéria, tempo e memória sem recorrer ao excesso, mas à permanência. Carne preta cozida no tempo, profunda e terrosa, sobre risoto de moranga de doçura cremosa com requeijão. Ao lado, o ora-pro-nóbis, verde ancestral, apenas salteado na manteiga, traz frescor. Finalizando, farofa crocante de panko com cebola roxa e castanha de pequi, revelando notas tostadas e a alma do Cerrado.

Casulo Risoteria e Gelateria -https://www.instagram.com/casulorisoteriaegelateria/
Endereço: Rua Olhos d’água, 01, Lapinha da Serra

Contato: 31 98884-9921

Prato participante: O futuro é ancestral

Filme Inspiração: Mãri Hi – A árvore do Sonho (2023) – Direção Morzaniel Iramari

Descrição: Inspirada em Mãri Hi – A Árvore do Sonho, a proposta parte da cosmologia Yanomami, em que Mãri Hi é a árvore sagrada responsável por despertar os sonhos. O filme revela a força e a beleza de um povo cuja relação com a Terra-Floresta é fundamento de existência, ao mesmo tempo em que evidencia a urgência da preservação de seu território e de sua cultura, hoje ameaçados. A sobremesa traduz esse universo em uma composição de banana, cupuaçu, mandioca, castanha-do-Pará e chá de cacau, reunindo ingredientes que carregam identidade, memória e pertencimento. Mais do que um prato, é uma homenagem à sabedoria — um convite à escuta e ao reconhecimento de que o futuro é ancestral.

CANTINA BAIANERA – https://www.instagram.com/cantinanovociclo/
Endereço: Rua do Batuque 73 Lapinha da Serra

Prato participante: Moqueca de Dona Flor — o encontro entre desejo e afeto

Filme inspiração: Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) – Direção Bruno Barreto

Descrição conceitual: Inspirado em Dona Flor e Seus Dois Maridos, o prato propõe a convivência entre opostos ao unir, em uma mesma moqueca, a tradição do peixe com a intensidade da banana-da-terra. Assim como na narrativa, marcada pela coexistência de forças distintas, a proposta constrói equilíbrio sem apagar contrastes. O palmito de bambu e o arroz vermelho trazem o território e a produção local como eixo de identidade, enquanto a farofa, feita com gordura de porco, farinha de tabuleiro e cebola roxa, incorpora memória e ancestralidade. A composição reflete também um encontro entre Bahia e Minas Gerais — entre origem e permanência, intensidade e acolhimento — e, como Dona Flor, não escolhe entre extremos: constrói equilíbrio a partir deles.

Feito na Lapinha – https://www.instagram.com/feitonalapinha/

Endereço: Rua do Batuque, 137 – Lapinha da Serra/MG

Prato participante: Pastel Auto da Compadecida

Filme: Auto da Compadecida (2000) – Direção Guel Arraes

Descritivo do prato: Inspirado em O Auto da Compadecida, o prato dialoga com o universo marcado pelo humor, pela astúcia e pela força da cultura popular brasileira. No filme, personagens como João Grilo e Chicó atravessam dificuldades com criatividade e ironia, revelando um olhar sensível e crítico sobre a realidade, sempre ancorado na tradição nordestina e na oralidade. O pastel traduz esse espírito ao reunir carne de sol na manteiga, cebola caramelizada, mussarela e catupiry em uma massa crocante, criando uma combinação intensa e equilibrada. Uma releitura que parte de ingredientes simples para construir sabor e identidade, conectando a culinária nordestina à produção local da Lapinha.

Alumiô Café Bar – https://www.instagram.com/alumio_cafebar?igsh=Nno3aHpvOG8yOWo4

Endereço: Rua Paraíso, 487 – Lapinha da Serra/MG

Prato participante: Menino no Espelho

Filme: O Menino no Espelho (2013) – Direção Guilherme Fiúza Zenha

Descritivo do prato: Inspirado em O Menino no Espelho, baseado na obra de Fernando Sabino, esse prato evoca a simplicidade e o encanto da infância mineira. Assim como o filme, traz memórias de casa, quintal, liberdade e imaginação — onde o cotidiano ganha um toque de magia. Feijão tropeiro feito com feijão roxinho e farinha de milho , acompanhado de arroz branco, ovo frito, couve refogada e toucinho de barriga. Feijão tropeiro preparado com ingredientes clássicos, cheio de textura, sabor e tradição — um prato que carrega a essência de Minas em cada garfada. Um convite para saborear com calma, como quem revive boas lembranças à mesa.

Lapinha Gastrobar – https://www.instagram.com/lapinhagastrobar?igsh=MXNuNzJxb2l6YzVsdg%3D%3D

Endereço: Rua Serra do Breu, 628 – Lapinha da Serra/MG

Prato participante: Pizza Agente Secreto

Filme: Agente Secreto (2025) – Direção Kleber Mendonça Filho

Descritivo do prato: Inspirado em Agente Secreto, ambientado em Recife, o prato traduz em sabor a tensão e o mistério de um enredo que se constrói por camadas, onde nada se revela de imediato. Assim como na narrativa, os elementos se articulam em contraste, criando uma experiência marcada por intensidade, identidade e surpresa.

A carne seca desfiada traz força e profundidade, enquanto o queijo coalho sustenta a cremosidade e o sabor característico do Nordeste. O coentro atravessa o conjunto com frescor e presença, e a rapadura surge como “ingrediente secreto” — um ponto de virada que adiciona um toque agridoce e reorganiza os sabores, revelando novas camadas a cada mordida.

Inhangatú – https://www.instagram.com/inhangatu?igsh=aW1pb2ttZHBiY2M2

Endereço: Rua Paraíso, 489 – Lapinha da Serra

Prato participante: O Auto da Compadecida – Cuscuz com ragu de costelinha suína

Filme: Auto da Compadecida (2000) – Direção Guel Arraes

Descritivo do prato: Inspirado em O Auto da Compadecida, esse prato traduz o sabor da resistência e da esperteza nordestina. Assim como João Grilo e Chicó, que vivem entre a fome e a fé, aqui cada garfada é sustento e conforto — simples na origem, mas cheia de história. Cuscuz da casa com ragu de costelinha suína, lentamente cozido até atingir o ponto perfeito: macio, suculento e cheio de sustança — comida que abraça. Um prato simples na origem, mas cheio de sabor — assim como a sabedoria popular nordestina que o filme valoriza.

Quintal da Prainha – https://www.instagram.com/quintaldaprainha?igsh=MTZ3OW5zdHFoeWl5Yw%3D%3D

Endereço: Rua Olhos d’Água 399, Lapinha da Serra

Prato participante: Filé de Tilápia Frita do Quintal da Prainha

Filme: Central do Brasil (1998) – Direção de Walter Salles

Descritivo do prato: Inspirado em Central do Brasil, dirigido por Walter Salles, o Filé de Tilápia Frita do Quintal da Prainha se relaciona com a travessia construída no filme — uma jornada marcada pela escassez, pelo deslocamento e pela transformação dos vínculos ao longo do caminho. Em Central do Brasil, são nos momentos mais simples, muitas vezes ligados ao cuidado e à sobrevivência, que se constroem os afetos entre Dora e Josué, revelando um Brasil profundo, atravessado por desigualdades, mas também por gestos de acolhimento. A escolha da tilápia, peixe popular e acessível, dialoga com essa dimensão concreta da vida cotidiana. Frita no ponto certo, dourada e reconfortante, ela representa um alimento essencial — aquele que não é elaborado, mas que sustenta, que alimenta no percurso, que marca pausas necessárias em meio à travessia. Um prato que, assim como o filme, encontra sua força não no excesso, mas na verdade dos gestos e na humanidade que emerge deles.

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